No dia 19 de fevereiro deste ano (2013), eu estava junto a
minha mãe no hospital. Ela já estava em estado vegetativo, pois por imposição
de meus dois irmãos foi feito a ortotanásia, sugestionado pela médica que
assistiu a minha mãe no processo da doença (câncer).
Mais ou menos eram umas 16hs e iriam ficar no meu lugar: um
sobrinho e seu pai.
Enquanto eles estavam ausentes do quarto, eu ao lado de
minha mãe sentada à beira de sua cama, segurando sua mão e horas eu rezava e
conversava com Deus, horas eu conversava com ela.
Às vezes eu percebia que ela ainda escutava e entendia e
devido a isso queria se comunicar, mas as suas forças eram limitadas. Não sei
se por causa da medicação administrada ou pela sua própria condição em que
estava...
Mas, suas mãos também horas se mexiam, horas ela segurava a
minha.
Eu com a minha cabeça debruçada a sua cama, por um momento
vi na minha casa, ou melhor, na casa de minha mãe que é junto a minha, vi
quatro idosas se adentrando pela porta da casa de minha mãe. Percebi que três
delas estavam com uma espécie de roupão na cor branca, mas no tecido que
antigamente se fazia (saco de alimento, depois de alvejado). A última estava
também com um roupão, mas na cor cinza e o cinturão azul celeste.
Todas essas senhoras eu vi pelas costas.
Quando percebi essa transição, levantei a cabeça, olhei para
minha mãe e que continuava do mesmo jeito, sem alterações. Nisso eu comecei a
ficar ansiosa para vir para casa. E vim.
No caminho eu senti que tinha algo que precisava fazer, mas
não entendi o que.
Nessa noite dormi tranquila, praticamente desmaiei de
cansaço.
No dia seguinte eu decidi que iria render a amiga que estava
com minha mãe, pois essa havia rendido à mulher do meu sobrinho e sua madrasta.
Quando cheguei ao hospital por volta das 19horas. A amiga de
minha mãe, disse que eu poderia voltar e descansar mais um pouco, pois no dia
seguinte sim, ela precisaria que alguém lhe rendesse, já que tinha compromissos
particulares.
Bom! Percebendo eu que não tinha mais o que fazer ali, já
que minha mãe estava em estado vegetativo, resolvi voltar para casa. E ficou
combinado que então no dia seguinte por volta das 15hs eu renderia a amiga de
minha mãe.
Nesse dia o meu marido, se ausentou de casa resolver um
assunto pendente. E eu acabei almoçando sozinha e almocei um macarrão
instantâneo. Deitei um pouco, pois comecei a ter dor de cabeça, mas, como não
passava resolvi levantar e tomar um comprimido.
Quando peguei a caixa de primeiros socorros, abri-a e em voz
alta sem saber o porquê perguntei: “mãe qual comprimido eu tomo?”. Quando
percebi que fiz essa pergunta, sabendo que estava “sozinha”. Firmei meu
pensamento, como quem não quer dar passagem a nada oculto. E peguei um
comprimido de prednisona o qual eu tomo quase regularmente por ter artrite
reumatoide. E voltei a deitar.
Mas, não demorei muito eu comecei a se sentir mal. Tudo
começou a rodar e já comecei a fazer processo de vomito.
Quando o meu marido chegou eu já não aguentava ficar em pé.
Ele “pacadão” como é, demorou a correr atrás de recurso... Enfim umas duas
horas, após, um vizinho me levou até o posto de saúde próximo a minha casa,
dali fui parar no posto 24horas.
Passei a noite neste, sem que soubessem o que havia
acontecido comigo.
Na manha seguinte, meu filho mais, velho chegou para me
trazer um chinelo, porém, saiu e logo retornou e me deu a notícia. Notícia essa, que eu não queria jamais
ter ouvido... Minha mãe havia falecido às 8hs e alguns minutos...
Na hora não me abalei com a notícia, parecia que eu já
sabia.
Quando chegamos ao hospital, eu fui até a capela mortuária,
ao ver minha mãe ali já sem “vida”, não sei por que fui do seu lado esquerdo e
percebi que ainda estava quente, ou seja, ainda havia energia.
Meus irmãos já haviam feito alguns procedimentos como, por
exemplo: acionar a funerária e providenciar a documentação junto ao hospital...
Mas, escolher o caixão, fazer o pagamento e outras providencias a esses eu quis
ir junto... Depois disso fui para casa e parecendo que estava fora de mim, não
estava ansiosa nem triste... Assemelhar-se a que fui anestesiada ou coisa
parecida...
Fui para a capela no cemitério da Água Verde, aonde
aconteceu o guardamento do corpo de minha mãe e em momento algum quis me
aproximar-se dela. E assim fiquei a noite toda, olhando ela de longe...
Sei que não era medo, pois nunca tive medo de pessoas mortas
e principalmente jamais teria de minha mãe.
ESPIRITUALMENTE FALANDO: todo esse processo que vivenciei,
sei hoje, que fui incumbida e envolvida no processo do despreendimento de minha mãe aqui na terra e as senhoras que foram
até a casa de minha mãe, eu (inconscientemente e involuntariamente) as trouxe
junto ao hospital para ajudarem minha mãe fazer o caminho da eternidade.
Isso prova que existe vida pós-morte. Sempre acreditei
nisso, já que segundo a Bíblia Jesus subiu ao céu e esta sentado a direita de
Deus pai todo poderoso..
E pensar que, eu quis muito estar junto a minha mãe na hora de sua "partida", fui por alguma força maior, fazer algo que jamais pensei...
Sempre gostei e aprecio espiritismo, embora nunca tenha "incorporado", apenas psicográfico, ou melhor: na minha simples compreensão entendo que os meus escritos são de certa forma psicografias, mas, nada que eu faça a finco e com a intenção.
Estudei alguns anos, mas sem praticar nada.